Em 1990, os gastos em sade alcanaram a fantstica cifra de US$ 666 bilhes. S o governo gastou US$ 280 bilhes. Nos ltimos 20 anos, o dispndio nessa rea teve um crescimento anual de 13%. A continuar nessa marcha, dentro de meio sculo o PIB todo ser gasto com sade.

Esses nmeros se referem aos Estados Unidos.  isso mesmo: os americanos gastam 12% do seu PIB em sade. So os campees. O Canad gasta 8,5%; a Alemanha, 8,2%; o Japo, a Austrlia e a Itlia, 7%; a Inglaterra, 6%. E o Brasil, apenas 2% de um PIB bem menor.

Isso  irrisrio. Afinal, a sade custa caro em qualquer parte do mundo. Nos Estados Unidos, o tratamento que simplesmente prolonga a vida de um aidtico custa US$ 85 mil. S a Aids consumiu US$ 12 bilhes em 1992 ou seja, 50% mais do que o Brasil gastou com todas as doenas.

A Inglaterra, que tem 55 milhes de habitantes, gasta US$ 51 bilhes. Ns que temos 150 milhes de habitantes gastamos US$ 8 bilhes. No  a Inglaterra que gasta demais;  o Brasil que gasta de menos. E gasta mal.

Mesmo com o seu enorme gasto, a Inglaterra tem muitos problemas. A fila para internao hospitalar chega a 800 mil pessoas! Os doentes que tm mais de 75 anos so a ltima prioridade. H 15 mil ingleses precisando de ponte safena; 13 mil necessitando quimioterapia; 9.000 dependendo de uma prtese femural todos eles com poucas chances de atendimento. Parece incrvel, mas  verdade. A hipertenso, na Inglaterra, s passa a merecer a ateno dos mdicos quando a mnima chega a dez sabendo-se que o limite  nove.

A concluso a que se chega a partir de todos esses nmeros  que, mesmo onde h muitos recursos, a obedincia  regra da prioridade  essencial. Sade custa caro. No Brasil, um doente internado custa, em mdia, R$ 150,00 por dia, mas o Inamps paga apenas R$ 3,50. Sim, trs reais e cinquenta centavos!  impensvel pretender tratar de todos os que precisam nessa base. Esse  o preo de um sanduche no bar da esquina. Se, na Inglaterra, com tantos recursos, obedecem-se as prioridades, o que dizer do Brasil que paga US$ 3,50 por uma diria de hospital?

No   toa que diminui a cada dia o nmero de hospitais conveniados com o Inamps. Alguns simplesmente encerram suas atividades, reduzindo ainda mais a j precria oferta de vagas. Esse foi o caso lamentvel do Hospital Humberto Primo em So Paulo, h longos anos mantido pela operosa colnia italiana e que, em 1992, se viu na contingncia de fechar as suas portas.

Tenho certeza de que a garra e a criatividade dos italianos faro reabrir aquele importante hospital. Seria um passo de extrema importncia para a sade pblica do Brasil. Mas isso no dispensa o alerta para que o governo ponha suas contas em ordem para pagar uma diria decente e, sobretudo, pagar em dia. Sem isso, o Brasil ser transformado no maior acampamento de doentes da face da terra.

A sade  como o cometa: o tema aparece a cada quatro anos na boca de todos os candidatos. Mas na base da pura demagogia eleitoral. Est mais do que provado que, at hoje, ela nunca foi levada  srio.
